MAPA – NUT – AVALIAÇÃO NUTRICIONAL – 51_2026

 

Na prática clínica com adultos, a avaliação nutricional e antropométrica é o ponto de partida para qualquer conduta assertiva, pois é a partir dela que se define se o paciente está em eutrofia, excesso de peso, desnutrição ou em risco cardiometabólico aumentado. A avaliação integra dados clínicos, exames laboratoriais, medidas corporais e história alimentar para revelar também a presença de carências nutricionais, alterações gastrointestinais e padrões de comportamento alimentar que podem favorecer o desenvolvimento ou a progressão de doenças crônicas. Dessa forma, compreender e interpretar adequadamente tais informações, é essencial para que o nutricionista trace estratégias individualizadas, realistas e eficazes, aumentando a adesão do paciente e o impacto da intervenção nutricional em sua saúde.
Entretanto, uma boa prática profissional não se limita as números. Exige também escuta ativa e sensibilidade para perceber aspectos ditos e não ditos pelo paciente, entendendo como humor, estresse, relações interpessoais, rotina de trabalho e organização da vida cotidiana afetam o autocuidado e a ingestão alimentar. Muitas vezes, o comportamento de “beliscar”, o uso da comida como compensação emocional ou a baixa percepção de risco em relação a exames alterados só aparecem quando o nutricionista cria vínculo e lê o contexto para além da dieta prescrita.

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Considere que você é nutricionista clínico e diariamente, encontra diferentes pessoas em sua jornada, uma deles, é Renata. Observe o caso abaixo:
Renata, 38 anos, 1,72 m e 93 kg, chegou à consulta para avaliação nutricional. Seus exames laboratoriais mostram: glicemia 117 mg/dL, colesterol total 206 mg/dL, triglicerídeos 191 mg/dL e vitamina B12 207 pg/ml, indicando risco cardiometabólico aumentado e possível insuficiência de vitamina B12.
Seu consumo alimentar é baseado em leite com café adoçado e bolacha água e sal pela manhã; no trabalho, ingere mais café com açúcar e costuma comprar algo no mercado ao lado, incluindo um chocolate que consome após o almoço. O almoço é marmita levada de casa com arroz, feijão, bife ou frango frito e, às vezes, tomate ou alface. À tarde, costuma consumir biscoitos de maisena ou água e sal, e no jantar repete o mesmo do almoço. Refere realizar exercícios por aplicativo em casa, 3 vezes por semana, por 15 minutos.
Na avaliação nutricional, as dobras cutâneas foram: DTC 26,7 mm, DCB 21 mm, DCSE 33,2 mm e DCSI 31 mm.
Relata ser muito ansiosa e reconhece que “belisca” mais alimentos ao longo do dia porém não consegue relatar. Não sabe quantificar a água ingerida, estimando menos de 1,5 L/dia. Relata dores ao defecar, fezes tipo 2 na escala de Bristol. Ao exame físico, apresenta edemas em coxas (sem extensão para panturrilhas) e hálito com odor de cetona.

Fonte: A autora, 2026.

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Conhecendo um pouco de sua paciente, é hora de agir.

1) Sabendo que Renata encontra-se em obesidade grau I segundo a classificação do IMC, calcule o peso ideal adotando como referência o IMC de 24,9 kg/m² (limite superior de eutrofia para adultos). Apresente o cálculo e o valor do peso correspondente.

2) Em seu material de estudo, observe o Quadro 1(categorias da história dietética) na página 25, elabore uma ficha de anamnese nutricional com perguntas que acolham a paciente e a façam sentir em ambiente seguro, que aprofunde os sinais e sintomas apresentados acima. (Não é necessário responder, apenas elaborar a ficha de anamnese com as perguntas)

3) Após elaborar a ficha de anamnese e ter aquela conversa acolhedora com Renata, é hora da antropometria. Realize as marcações antropométricas das dobras indicadas em um amigo ou familiar, fotografe-as e anexe as fotos neste local. Para realizar as medidas das 4 dobras informadas, consulte seu MDD de Prática de Avaliação Nutricional do Adulto II. OBD: não é necessário realizar a aferição com adipômetro, apenas marcação antropométrica dos pontos de dobras, pode utilizar uma caneta ou pincel atômico atóxico. 

OBS: As fotos das marcações antropométricas devem ser restritas apenas aos pontos de dobras, sendo vetado a exposição do rosto do avaliado.

DCT

DCB

DCSE

DCSI

4) Com base nos dados das dobras cutâneas de Renata, ainda em posse de seu MDD, responda as questões abaixo:

  1. a) Calcule a soma das quatro dobras cutâneas e utilize a equação de Durnin & Womersley (1974) para mulheres adultas (disponível no MDD) e estime o % de gordura corporal 

b) Classifique o Estado Nutricional de Renata segundo a % de gordura corporal.

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